O PROCESSO DE ACULTURAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS

 

Introdução

Nos dias atuais a sociedade passa por um processo de aculturação devido á abrangência das diversidades culturais que se incorporam em discursos, valores e definições de linha políticas que acabam descaracterizando os traços culturais de cada região.

Neste trabalho pretendemos através do olhar dos autores Roque Laraia e Carlos Brandão, investigar como ocorre o processo de aculturação nas escolas públicas, entretanto seguiremos apenas os procedimentos básicos a esta elaboração.

Em nosso trabalho investigativo sobre o processo de aculturação vimos que para o autor Carlos Brandão na relação entre as sociedades evidentemente quem perderia mais traços seriam aquelas que são consideradas de maior fragilidade e o destino final seria a incorporação de outras culturas. O que não é muito diferente para o autor Roque Laraia ao evidenciar sobre a obra de Locke, que “nenhuma ordem social é baseada em verdades inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança de comportamento” (Locke IN Laraia, 1979. p, 26), o que nos leva a acreditar que a perda ou a aquisição de traços não explica a persistência de algumas sociedades, mesmo que modificadas por estas alterações ao compartilharem da mesma cultura. Entretanto a sociedade é composta de indivíduos únicos que contribui para sua sociedade de uma maneira particular.

Objetivo

 Identificar se o processo de aculturação é inculcado assim como verificar se o contato diário entre alunos e professores propicia esse processo ao examinar se os nossos professores da rede pública estão preparados para lidar com a diversidade cultural.

Metodologia

Trabalhamos com a observação participante e entrevista informal identificando os critérios necessários para a elaboração deste trabalho do ponto de vista antropológico e na intencionalidade de adquirir formas que nos levou há um resultado de estágios existentes no processo de aculturação nas salas de aulas das escolas públicas: Victorino Monteiro da Silva, Bairro CPA IV. Malik Dedier Namer Zahafe, Bairro Pedra 90. Barão de Melgaço, Bairro D. Aquino. Todas localizadas na cidade de Cuiabá-MT. 

Apresentação do resultado

Durante a investigação nas três escolas públicas foram ouvidas 131 crianças de 08 a 13 anos durante quatro dias em um período de 16:00 horas obtendo assim um resultado satisfatório para a definição geral da pesquisa.

Para melhor explanação do que pretendemos com esta pesquisa, elaboramos um quadro que demonstrará a coleta de dados feita através de uma entrevista informal com o objetivo de identificar o local de nascimento da criança e a cidade de origem dos pais, para então percebermos se o sotaque e os traços culturais dessas crianças são originados do seu local de nascimento ou se sofreu influência no processo de aculturação na escola.

Veja o quadro

Filhos

Pais

Resultados

Cuiabano

Cuiabano

18%

Cuiabano

Cuiabano/outras regiões

12%

Cuiabano

Outras regiões

42%

Outras regiões

Outras regiões

28%

 

O resultado foi bastante interessante no que diz respeito ao tema desta pesquisa, pois 42% dos entrevistados são crianças nascidas em Cuiabá e os pais são de outras regiões porem o número de crianças de outras regiões é de 28% um percentual bem alto pelo esperado – já os filhos cuiabanos onde somente o pai ou a mãe é de outra região são de 12% um percentual bem menor ao dos cuiabanos filhos de cuiabanos que foi de 18%. Diante desse resultado e a observação em sala, percebemos que a troca de traços culturais acontece de maneira informal em sala de aula e também no contato com o professor, pois em seus diálogos percebemos algumas variantes lingüísticas de expressões regionais como: HUM - HUM, HE - HÁ, EXPIA AÍ, AGORA O QUE QUE É ESSE, MAS CREDO GURI, ETC, sendo que das três escolas observadas duas delas são escolas de bairro onde o índice de crianças que apesar das trocas culturais ainda mantém o sotaque cuiabano, também observamos em algumas crianças a mistura de sotaques, formando um linguajar bem diferente e de difícil identificação.

A outra escola observada, localizada em um bairro de centro da capital encontramos uma realidade bem diferente, pois as crianças apresentavam misturas de variantes lingüísticas diversas do cuiabano com outras regiões, de mostrando que no processo de aculturação nessa escola a troca de traços entre eles ocorre de forma bem natural e um fato interessante foi o de uma professora que possui o sotaque cuiabano, pois ela é de uma região próxima dentro do estado e considera o linguajar cuiabano como erro oral da língua portuguesa o que nos levou a crer que nessa sala o processo pode ser inculcado pela professora mesmo ao afirmar que os linguajares de outras regiões são carretas e somente as crianças cuiabanas falavam errado no conceito dela.

Durante todo o processo de investigação também observamos e percebemos a dificuldade que os professores das séries iniciais têm para lidar com o processo de aculturação em sala, por não entender e relacionar esse processo como algo importante e que faz parte do aprendizado dos alunos.         

 

Considerações finais

Diante de todo percurso percorrido no processo investigativo desta pesquisa podemos refletir sobre o que Laraia nos diz ao que se refere ao tema principal desta pesquisa que “estudar a cultura é, portanto estudar um código de símbolos partilhados pelos membros dessa cultura”. (1979. p, 64), compreendendo assim a unidade de regras sobre as relações e comportamentos. Pois bem, foi a partir dessa reflexão que passamos a entender a conclusão deste trabalho, pois conseguimos através da observação participativa e da entrevista informal com as crianças em sala nos deparamos na tentativa de decifrar alguns símbolos de linguagem que eram novidades para nós ao nosso modo de ver se tratando de culturas que são o resultado da mistura de sotaque cuiabano com o sotaque de outras regiões porem, observamos que na troca desses traços culturais de simbologias regionais, havia uma intencionalidade no comportamento dessas crianças ao adquirir formas na simbologia de outras culturas ao trocarem olhares, palavras, ao expor seus medos e sonhos durante os diálogos entre eles de forma bastante natural através da música, dos gestos e expressões corporais, faciais até mesmo na forma de sorrir.

O que realmente nos preocupou foi á perda dos valores simbólicos em algumas crianças durante essas trocas, pois segundo o autor Carlos Brandão (1986) as sociedades que perdem mais traços são consideradas de maior fragilidade e o seu destino é a incorporação de outras culturas, o que nos leva a crer que essas crianças ao incorporar esses traços o mesmo tende a se descaracterizar de sua origem formando outros símbolos e ocasionando a reinterpretação da sua identidade ética.

Acreditamos que as informações contidas neste trabalho devem nos trazer muitas reflexões a respeito de nós mesmos.

A grande importância de tudo isso é que esta pesquisa nas oferece um contra ponto da nossa própria sociedade é como se usássemos um espelho onde encontrássemos a nossa imagem invertida ao refletirmos o profissional pedagogo que seremos amanhã dentro de uma sociedade com diversidades culturais.

    

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

LARAIA, Roque de barros. Cultura: um Conceito antropológico. 11° ed. Rio de      Janeiro: Jorge Zahar editor, 1979.

 

BRANDÃO, Carlos R. Identidade e Etnia: Construção da pessoa e  A    Resistência Cultural. São Paulo, SP.  Brasiliense, 1986.