UFMT-UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

 

 

 

 

 

 

DIVERSIDADE RELIGIOSA E PRECONCEITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alunas: Graziela Martins de França

              Silvana de Alencar Silva

              Valdicléia Galindo Batista

 

 

 

 

Introdução

 

A presente pesquisa sob o tema “Diversidade Religiosa e Preconceito” é influenciada pela nossa experiência quando éramos crianças, pois havia explicito esse “tipo” de preconceito nas escolas que estudamos. E também pelo fato de não conhecermos estudos antropológicos nesse sentido.   

Pesquisamos uma escola estadual, com 58 alunos, divididos em três turmas, utilizamos o método de questionário e observação participante. Desenvolveremos nossa pesquisa com o intuito de identificar a ocorrência de preconceito e, em quais aspectos ele se manifesta, entre educandos e educadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resultados do questionário e da observação

 

         O questionário apontou que, mais de cinqüenta por cento dos alunos declararam pertencer à religião católica, e menos de trinta por cento a religião evangélica e, doze por cento pertencem a religiões afro-brasileira e espírita. Ficando claro que o catolicismo ainda hoje é predominante, apesar de o número de evangélicos ter aumentado significantemente nas últimas décadas, e as duas ultimas religiões praticamente estagnaram em seu número de adeptos.

Durante a aplicação do questionário os alunos demonstraram dúvida em relação às opções religiosas, e então apresentamos os nomes de algumas como: espírita, evangélica, católica, afro-brasileira, quando ouviram a palavra espírita, o riso foi geral e apontaram alguns colegas gritando: “_Ah ele é espírita, ela é macumbeira”. Percebemos que usavam um tom de acuação ao afirmarem tal fato. O comportamento de dois dos alunos espíritas no momento do riso foi de assumirem: “_Sou mesmo”, um outro abaixou a cabeça em silêncio. A garota que os alunos disseram ser macumbeira se defendia dizendo: _ “Não sou, eles estão dizendo isso, porque faço o Pepepeô (gesto de um personagem de novela), _Mas, não sou”.

Quando uma criança dizia ser crente ouvia-se: _ “Do cú quente”, quando dizia ser católica: _ da “Bunda torta”. Identificamos ainda, discriminação dos alunos aos colegas católicos e evangélicos, e um preconceito mais forte aos pertencentes às religiões afro-brasileira e espírita.  Em uma outra sala, a professora falava aos alunos sobre estilos de vida, e ao mencionar sobre religiões citou apenas a católica e evangélica, desconsiderando conscientemente ou  não as outras existentes.

 

Considerações finais

 

            A hipótese sobre a existência de preconceito existente entre alunos e professores foi confirmada, sendo que, os declarantes das religiões espírita e afro-brasileira foram os que mais sofreram com tal constatação. Isso vem de encontro   ao pensamento de Peter McLaren de que: a escola padroniza símbolos culturais eliminando a individualidade. Isso se dá positivamente quando o educador trata os alunos de maneira igualitária, visando o respeito a diferentes credos, e negativamente quando o professor padroniza símbolos culturais, desrespeitando a individualidade, como aconteceu com uma ao citar apenas as religiões católica e evangélica, fazendo com que os alunos pertencentes a outras religiões se sintam inferiores.

Portanto, é necessário que se entenda a cultura a partir também das diferenças de credos religiosos, significando compreender a própria existência humana. Enfim entendemos que a cultura é dinâmica, e, conseqüentemente que a religião se modifica para atender ao processo evolutivo, isso é importante para que choques entre as gerações sejam menores e comportamentos preconceituosos sejam evitados. Como é o caso, por exemplo, das religiões evangélicas atuais terem se tornado mais flexíveis, quanto às vestimentas, para agregar mais fiéis, ou simplesmente para que seus membros sofram menos preconceito. Talvez, esse seja o motivo do menor preconceito entre evangélicos e católicos, no que diz respeito, a não ter diferenças no modo de se vestir.

O preconceito sofrido pelos adeptos de religiões afro-brasileira e espírita, pode ser explicado pelo menor número de declarantes, além disso, foi percebido que alguns alunos pertencentes a essas religiões, optaram por se declararem católicos, religião dominante e, portanto mais aceita pela sociedade atual.

Bibliografia

 

LARAIA, Roque Barros de. Cultura: Um conceito Antropológico. 11ª ed. Rio de Janeiro, 1984.

MCLAREN, Peter.  Rituais na escola; em direção a uma economia política de símbolos e gestos na educação.  Petrópolis/RJ: Vozes, 1991.