TÍTULO: As dificuldades de aprendizagem da Matemática na Educação de Jovens e Adultos

 

 

AUTORA: Marilde de Barros Pádua

 

 

SÉRIE: 1ª Fase do Ensino Médio (Educação de Jovens e Adultos).

 

 

TEMPO NECESSÁRIO: Em torno de 60 aulas.

 

 

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por justificativa, verificar as necessidades locais dentro do universo do ensino supletivo mais especificamente na área de Matemática, questionando o educando, sobre as dificuldades encontradas pelo mesmo em aprende-la. Na vivência que se tem dentro da educação de jovens e adultos, de modo geral, vem-se observando o quanto as questões de currículo e de conteúdos é polêmica e como o entendimento de cada concepção varia de acordo com o momento histórico e com os interesses; de melhoria do ensino.
A educação de jovens e adultos torna-se uma necessidade no momento atual, pois o mercado de trabalho exige que os indivíduos dominem cada vez mais as tecnologias, tendo que saber operar os códigos da modernidade, e produzir com mais qualidade. As dificuldades dos adultos na aprendizagem da leitura e da escrita, de cálculos e demais elementos do conhecimento científico não deve constituir-se em barreiras à aprendizagem, mas servir como material de análise teórica para os professores. Como professora da disciplina de Matemática dessa turma (1ª Fase do Ensino Médio – EJA), resolvi trabalhar esse conceito, As dificuldades de aprendizagem da Matemática na Educação de Jovens e Adultos, fazendo uma conexão com o aprendizado nas aulas presenciais e o meu trabalho docente em sala de aula, no município. Considero este assunto de fundamental importância para os alunos e alunas, por se tratar das dificuldades encontradas no ensino da Matemática, pois os mesmos na sua maioria não tiveram acesso a todos os conteúdos do ensino fundamental. Após pesquisas realizadas descobri que essas dificuldades tem a sua origem no abandono da escola no tempo regular (por descaso do aluno e família, ou por falta de oportunidade), o sistema oferece o mínimo de dias letivos consequentemente poucas aulas de matemática, novas legislações determinadas pelo Conselho Estadual de Educação aprovando alunos com dependências em até quatro disciplinas e o exame supletivo, por conta deste último a escola matricula alunos no ensino médio quase sem conhecimento dos conteúdos do ensino fundamental. Diante do exposto acima, após o trabalho de pesquisa com os discentes dei início ao trabalho de resgate desses conceitos matemáticos na tentativa de sanar uma boa parte dessas dificuldades. Para essas atividades utilizo aulas de outros professores ou mesmo extra horário.

 

 

OBJETIVOS

Ao final das atividades, espero que os alunos sejam capazes de:

¨     Compreender os conteúdos apresentados no ensino médio;

¨     Transmitir com eficácia as informações pesquisadas;

¨     Formular questões a partir de situações reais;

¨     Utilizar o registro formal;

¨     Acompanhar todos os conteúdos propostos pelos professores subseqüentes;

¨     Valorizar a pesquisa;

¨     Utilizar recursos técnicos etc,.

¨     Diminuir a timidez;

¨     Adquirir a auto estima;

¨     Adquirir o gosto de estudar matemática e relacioná-la com o seu cotidiano.

 

 

QUADRO TEÓRICO

       “Num mundo como o atual, de tão rápidas transformações e de tão difíceis contradições, estar formado para a vida significa mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou identificar símbolos. Significa: saber se informar, comunicar-se, argumentar, compreender e agir;

enfrentar problemas de diferentes naturezas; participar socialmente, de forma prática e solidária; ser capaz de elaborar críticas ou propostas; e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente aprendizado. Uma formação com tal ambição exige métodos de aprendizado compatíveis, ou seja, condições efetivas para que os alunos possam:  comunicar-se e argumentar;  defrontar-se com problemas, compreendê-los e enfrentá-los;  participar de um convívio social que lhes dê oportunidades de se realizarem como cidadãos; fazer escolhas e proposições;  tomar gosto pelo conhecimento, aprender a aprender.

      As características de nossa tradição escolar diferem muito do que seria necessário para a nova escola. De um lado, essa tradição compartimenta disciplinas em ementas estanques, em atividades padronizadas, não referidas a contextos reais. De outro lado, ela impõe ao conjunto dos alunos uma atitude de passividade, tanto em função dos métodos adotados quanto da configuração física dos espaços e das condições de aprendizado. Estas, em parte, refletem a pouca participação do estudante, ou mesmo do professor, na definição das atividades formativas. As perspectivas profissional, social ou pessoal dos alunos não fazem parte das preocupações escolares; os problemas e desafios da comunidade, da cidade, do país ou do mundo recebem apenas atenção marginal no ensino médio, que também por isso precisaria ser reformulado. A falta de sintonia entre realidade escolar e necessidades formativas reflete-se nos projetos pedagógicos das escolas, freqüentemente inadequados, raramente explicitados ou objeto de reflexão consciente da comunidade escolar. A reflexão sobre o projeto pedagógico permite que cada professor conheça as razões da opção por determinado conjunto de atividades, quais competências se busca desenvolver com elas e que prioridades norteiam o uso dos recursos materiais e a distribuição da carga horária. Permite, sobretudo, que o professor compreenda o sentido e a relevância de seu trabalho, em sua disciplina, para que as metas formativas gerais definidas para os alunos da escola sejam atingidas. Sem essa reflexão, pode faltar clareza sobre como conduzir o aprendizado de modo a promover, junto ao alunado, as qualificações humanas pretendidas pelo novo ensino médio.

      Em nossa sociedade, o conhecimento matemático é necessário em uma grande diversidade de situações, como apoio a outras áreas do conhecimento, como instrumento para lidar com situações da vida cotidiana ou, ainda, como forma de desenvolver habilidades de pensamento. No ensino médio, etapa final da escolaridade básica, a Matemática deve ser compreendida como uma parcela do conhecimento humano essencial para a formação de todos os jovens, que contribui para a construção de uma visão de mundo, para ler e interpretar a realidade e para desenvolver capacidades que deles serão exigidas ao longo da vida social e profissional. Nessa etapa da escolaridade, portanto, a Matemática vai além de seu caráter instrumental, colocando-se como ciência com características próprias de investigação e de linguagem e com papel integrador importante junto às demais Ciências da Natureza. Enquanto ciência, sua dimensão histórica e sua estreita relação com a sociedade e a cultura em diferentes épocas ampliam e aprofundam o espaço de conhecimentos não só nesta disciplina, mas nas suas inter-relações com outras áreas do saber.

As situações e os desafios que o jovem do ensino médio terá de enfrentar no âmbito escolar, no mundo do trabalho e no exercício da cidadania fazem parte de um processo complexo, no qual as informações são apenas parte de um todo articulado, marcado pela mobilização de conhecimentos e habilidades. Aprender Matemática de uma forma contextualizada, integrada e relacionada a outros conhecimentos traz em si o desenvolvimento de competências e habilidades que são essencialmente formadoras, à medida que instrumentalizam e estruturam o pensamento do aluno, capacitando-o para compreender e interpretar situações, para se apropriar de linguagens específicas, argumentar, analisar e avaliar, tirar conclusões próprias, tomar decisões, generalizar e para muitas outras ações necessárias à sua formação.” (PCNs +)

“Toda sala de aula é ao mesmo tempo um problema e uma solução. Não é possível utilizar os mesmos métodos ao longo dos anos, Pode ser que com determinada turma a forma ideal de tratamento dos mais diferentes temas tenha encontrado eco, ao passo que com outra turma da mesma idade, na mesma escola não se consiga sequer prender a atenção. A questão não é da sala, da turma, é do professor; é dele que se espera maturidade e preparo para rever seu método e buscar outras maneiras de envolver a turma. É muito cômoda a posição do professor que se defendo do fracasso de sua relação com a sala culpando os alunos. O desafio está em saber que a cada nova turma surgem outras experiências de vida, outros anseios, outras expectativas. Em suma é preciso saber que tudo muda e, se assim é, a forma de dar aula também tem de mudar.” (Gabriel Chalita)

“Para os alunos, há uma lógica no ato de estudar e, para os professores, há outra. Ouço muitas das crianças: “Fui a todas as aulas, estudei em casa e não concordo com as notas que recebi”. O professor retruca, afirmando que o estudante é preguiçoso e não entendeu a matéria. Esse descompasso revela o grande abismo que existe entre as pessoas e interfere no processo de aprendizagem. Portanto o sentido da escola não é o mesmo na cabeça do estudante e na do professor.” (Bernard Charlot)

 

 

RECURSOS DIDÁTICOS

Livro didático, cartolina para confeccionar cartazes, lápis preto, lápis de cor, borracha, caneta, papel, pincel atômico, papel pardo, xerox, pesquisa via Internet, pesquisa em enciclopédias, caderno, consultas com professores matemáticos da escola etc.

 

 

ORGANIZAÇÃO DA SAULA

Depois de muitas observações, feito um diagnóstico, escolhido o título e apresentado para os alunos, iniciou-se o processo de pesquisa através de questionamentos e busca de sugestões. Após todas essas ações iniciamos o trabalho com base no resultado da pesquisa e na oralidade dos discentes.

 

 

DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES

01-  Escolha do tema a ser estudado;

02- Divisão dos conceitos;

03- Distribuição dos questionários para a pesquisa;

04- Pesquisas extra classe;

05- Estudos em sala de todas as pesquisas encontradas;

06- Levantamento de dúvidas, questionamentos e esclarecimentos;

07- Apresentação dos grupos para o professor regente,

08- Discussão coletiva (com a presença da Professora  Lydia da UFMT),

09- Início do resgate das dificuldades na aprendizagem.

 

 

PERÍODO TRABALHADO

Este trabalho foi trabalhado a partir do dia 13 de Fevereiro até o dia 20 de Outubro de 2006.

 

 

AVALIAÇÃO

Avalio este plano como de fundamental importância para o sucesso deste trabalho, o qual pretendo seguir passo a passo, até porque foi construído coletivamente com os alunos. Ele não está acabado, na verdade estamos em um processo de construção muito valioso tanto para mim como para os alunos, pois estou revendo conteúdos importantes e a maioria deles estão construindo e buscando gradativamente os conceitos que ficaram para trás.

      É importante lembrar que este trabalho deve estar em sintonia com o Projeto Politico Pedagógico da escola e deve ter como o alvo o desenvolvimento e envolvimento dos alunos articulados com outras áreas do conhecimento, por que se for negado aos mesmos o direito de falar, de se posicionar, de contextualizar no seu aspecto social dificilmente este trabalho terá sucesso e a organização do ensino não será articulado e não evoluirá para aquilo que pretendo com este trabalho.

 

 

BIBLIOGRAFIA

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS  + (Ensino Médio).

ENCICLOPÉDIA BARSA, São Paulo Encyclopédia Britannica Editores Ltda.;

CHALITA Gabriel – A solução está no afeto, 5ª edição- editora gente;

CHARLOT Bernard – Revista Escola – Fala mestre.