AS HISTÓRIAS INFANTIS COMO POSSIBILIDADE DE ALFABETIZAR LETRANDO

 

AUTORAS ; Lizoni, Leila Aparecida Schmeier

Oliveira, Edna Simão

Graebin, Eliane

 

 

O trabalho que realizamos nos remete a uma reflexão sobre nossa concepção de alfabetização e de tratamento. Com as leituras realizadas na área de linguagem passamos a compreender que a aquisição da linguagem deve ser vista num sentido muito mais amplo do que simplesmente o decodificar os sinais gráficos da escrita, por isso a presente pesquisa. Nela não procuramos esgotar o tema em pauta, mas buscamos contribuir para o aprendizado da leitura, contextualizando as histórias infantis, como possibilidade na e para alfabetização e letramento destacando o professor como mediador fundamental na interação da criança com o mundo da fantasia que são as mesmas.

Nesse contexto nos propusemos a trabalhar a visão do professor no que se refere a possibilidade de letramento e alfabetização, através de histórias infantis. A nosso ver a partir destas pode-se propiciar de forma lúdica e prazerosa o processo de construção do ensino/aprendizagem do aluno.

Os atos de ler e escrever se fazem essenciais em uma sociedade na qual a escrita é necessária e que nos faz significar mais, em alguns momentos, logo precisamos buscar caminhos mais efetivos para o processo de alfabetização dos indivíduos, um processo que nos desafia enquanto educadores especialmente quanto ao ensino da língua escrita.

Refletindo sobre as necessidades inerentes à nossa ação compreendemos que cabe a nós professores alfabetizadores redimensionar a forma de educar, visando novas metodologias e repensado nossas atividades profissionais.

A contação de história no âmbito da sala de aula é um dos recursos que estão ao alcance do professor para que possa auxiliar os alunos a se aproximarem do mundo da leitura e da escrita.

 Ao pensar alfabetização no contexto escolar necessitamos direcionar nosso olhar para as abordagens teóricas que procuram explicar atualmente, a dimensão da alfabetização e do letramento. Nesse intuito buscamos construir nosso referencial teórico a partir das leituras de  Neder, Possari, Tfoni, Soares, Coelho e Ribeiro, esses autores abordam o assunto como sendo diferentes, mas  complementares.

Para Tfoni, (1995,p. 20) “a alfabetização é um processo pela qual se  adquire  o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo  para ler e escrito se ocupando para a aquisição da escrita por um indivíduo ou grupo”.

Quanto ao letramento diz a autora “incluir a capacidade que temos que nos  instruir por  meio da leitura e de selecionar, entre muitas informações aquela que mais interesse. Sendo assim, letramento é o estado ou condição de quem não só sabe ler, mas exerce as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam da sociedade em que vive, conjugando-as como as práticas sociais e orais.”(TFONI,1995)

Possari e Neder (2004,p. 25) conceituam letramento conforme Kleiman (1995, p.19)  “ o conjunto de prática sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico enquanto tecnologia em contextos específicos, para o objetivo específicos”. E conforme acrescenta Matêncio (1994,p.242) “ a construção dos sentidos pelos sujeitos, permeada por suas práticas sociais, culturais e discursivas, constituindo-o como tal no momento de enunciação”.

Podemos entender então, que a alfabetização é o processo pelo qual adquirimos domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja, o domínio da tecnologia para exercer a arte e a ciência da escrita. Quando fazemos o uso efetivo e competente dessa tecnologia estamos exercendo o letramento que nesse caso implica habilidade e capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos.

Após leituras de textos escritos por Soares, podemos afirmar que um adulto pode até ser analfabeto, contudo, pode ser letrado. O mesmo acontece com as crianças, pois mesmo antes de entrar em contato com a escolarização, não saibam ainda ler e escrever, tem contato com livros, revistas, ouvem histórias lidas por pessoas alfabetizadas, presenciam a prática de leitura ou de escrita e a partir daí, também se interessam por ler. Criando seus próprios textos “lidos”, elas também podem ser consideradas letradas. O letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino  instrumental, como para se repensar a especificidade da alfabetização. “Quem de fato aprendeu a ler e escrever é capaz de ler coisas que nunca leu e escrever coisas que nunca escreveu”.(LEMLE 43/47,p.50, in NEDER e POSSARI 2005).

Buscando entender esse novo olhar sobre o alfabetizar devemos repensar o uso dos contos de fadas e histórias infantis na aquisição do código escrito e cultural dos seres humanos. Desde que o homem adquiriu a fala às histórias infantis e contos são utilizados como forma de levar as crianças a adquirirem conhecimento. “A fantasia é um mecanismo inventado pelo homem na era medieval para superar as dificuldades da vida real”. Conta Kátia Canton, especialista em contos de fadas, pela Universidade de Nova York, Revista Nova Escola,(Setembro, 2005,p.53)

Os contos de fada pertencem ao gênero literário mais rico do imaginário popular, pois em qualquer sociedade esses contos servem como soluções para ao problemas anteriores do ser humano. Ou seja, a fantasia ajuda a formar a personalidade e por isso não pode faltar a educação. A criança aumenta seu repertório de conhecimento sobre o mundo e transfere para os personagens seus principais dramas. Além disso foram e são utilizadas para levar as crianças a adquirirem os padrões sociais. Assim, muito mais que divertir esses contos e histórias infantis serviam para instruir.

Foi pensando no resgate dessa prática/ação que resolvemos conhecer e trabalhar com as histórias infantis no processo de alfabetização, pois as mesmas são formas lúdicas e prazerosas de alfabetizar letrando sem deixar de trabalhar a realidade.  

Esta pesquisa não tem a pretensão de ser inovadora em termos de prática pedagógica do resgate do poder e da fantasia do ato de ler, mas em aprofundar a compreensão de desenvolver práticas de contar histórias em sala de aula, cuja figura do contador de histórias sempre será uma mágica, encantadora e que nos transporta a outras realidades. O tempo e os narradores de história vão se transformando e se distinguindo dos narradores tradicionais, no entanto a magia do “Era uma vez...” não perde a amplitude imaginária que exerce sobre as crianças.

A aprendizagem da criança na escola está fundamentada na leitura na maior e mais significativa conseqüência do processo de escolarização.

Ao oferecer subsídios aos interessados na leitura e na formação de leitores acredita-se que o desvendamento do processo torna possível o planejamento de ensino adequados, construindo as bases para uma atividade cognitiva, pois a leitura é um ato social, entre dois sujeitos – leitor e autor – que interagem entre si, obedecendo a objetivos e necessidades socialmente determinados.

Os vários níveis de conhecimento, que entram em jogo durante a leitura são: importância do conhecimento prévio do leitor, pois é o que dará base ao mesmo para inferir no texto, já que a leitura implica numa atividade de procura por parte do leitor, aspectos que são relevantes para a compreensão do texto.

É importante contextualizar a leitura na perspectiva educacional, pois ler o mundo é o primeiro passo para querer saber o mundo. Se respeitarmos que existe um sujeito que aprende e não é passivo diante dos conteúdos escolares, este lê mesmo antes da apresentação formal da escrita.

Quando o assunto é leitura, indagamos se está vem sendo trabalhada dentro de um processo lúdico e prazeroso no ambiente escolar. É nesse sentido que a leitura passa a ser no cenário da Alfabetização elemento de preocupação para os educadores.

O papel do educador, portanto, é conhecer a criança e aprofundar seus conhecimentos referentes a questão de leitura. Não existe método para motivar alguém a ler, o que conta é a motivação que o professor utiliza para despertar o estimulo à leitura.

O professor que ousar, ter criatividade, ter coragem de inovar e mudar precisa transformar a sala de aula em um ambiente dinâmico, atraente e capaz de promover de forma mais eficiente possível a aprendizagem da leitura e da escrita. Alfabetizar uma criança é colocá-la em contato com o mundo da escrita e da leitura para que ela possa apropriar – se de significados, construir conhecimentos e se construir como sujeito.

A leitura tem o poder de fazer o aluno entrar no texto e viajar no mundo da fantasia. Nesse sentido, ela pode ser vista, vivida, sentida, falada, ouvida e contada, daí o atual renascimento da fantasia, do imaginário, da magia, do ocultismo...

 

 Leitura é um processo de interlocução, isto é, não é mais algo instantâneo, mecânico, mas um processo, que significa um encadeamento, um ir - e – vir, um retornar, um avançar. Ao ler o leitor deve dialogar com o autor, um sujeito, que através de um texto apresenta sua visão de mundo, de realidade, de fantasia, de sonho. Nesse diálogo o leitor também se apresenta como sujeito que tem sua visão de mundo e de realidade. É, portanto, instaurado um processo de diálogo, de troca de conhecimento, sensações, sentimentos. Supõe-se, logo, que o leitor não é alguém passivo, que apenas deve aceitar o que lhe diz o autor. O diálogo pressupõe a troca. Se a leitura é um processo de interlocução, deve possibilitar, então, que a troca se estabeleça. (POSSARI e NEDER, 2005, p.21)

 

Ao perceber a leitura como processo é preciso pontuar o que é ler para construir essa relação professor – aluno e texto e neste meio precisamos focar a contribuição das histórias no processo de aquisição da leitura.

A criança necessita de um suporte para experimentar o mundo, a literatura infantil preenche de modo particular, pois apresenta de maneira sistemática as relações presentes na realidade, que a criança não pode perceber por conta própria. Outro elemento é a linguagem, que é o mediador entre a criança e o mundo, de modo que, propiciando, pela leitura, um alargamento do domínio lingüístico, a literatura preencherá uma função de conhecimento, o leitor relaciona-se com o desenvolvimento lingüístico da criança, com a formação do fictício, com a função específica da fantasia infantil, com a credulidade na história e a aquisição do saber.

Ao colocar a literatura infantil como instrumento central à preparação e ao processo de leitura, o desafio se apresenta, portanto, em termo de conseguir adaptar ao currículo à leitura para ser vivenciada no contexto escolar.

É importante que as crianças possam visualizar o livro, são sob tudo as gravuras que inicialmente exercem maior atração e só aos poucos o conteúdo da história vai se tornando mais saliente para eles.

Para captar a atenção das crianças é necessário ler de forma literal, clara e agradável. O educador deve manter- se aberto as perguntas das crianças e incentivá-las à troca de comentários sobre o texto lido, pois não se trata simplesmente ensinar-lhes um conto ou um vocabulário, mais sim de partilhar com eles uma mesma história. É muito importante que surjam perguntas e comentários por parte das crianças, para que a história não se transforme num ritual didático alheio aos verdadeiros interesses delas.

Ao transformar a leitura de histórias numa atividade pedagógica, somos forçados a nos preocupar com a qualidade da leitura que estamos fazendo para as crianças. A escolha dos livros deve, portanto nortear-se por alguns princípios básicos que garanta a eficácia do trabalho pedagógico. Se o objetivo é oferecer, através da leitura de um livro oportunidade de contato significativo com diferentes modelos de textos escritos, o importante é que a escolha tenha atributos formais que garantam a sua qualidade.

Na escolha do texto, deve-se, pois observar a qualidade da criação, a estruturação da narrativa e a sua adequação ás convenções do português escrito e com isso estaremos garantindo para a criança uma oportunidade plena de contato com o uso real da escrita.

Lógico seria a introdução dessa ação na escola, mas será que ela ocorre? De outra forma, como os professores das fases iniciais trabalham as histórias infantis no processo de alfabetização e letramento?

 Com o intuito de identificar concepções e práticas pedagógicas no âmbito escolar, especialmente quanto o uso das histórias infantis primeiramente nos embasamos teoricamente para que, após, pudéssemos realizar a outra etapa do projeto que foi a pesquisa com entrevista semi-estruturada com professores alfabetizadores, mais especificamente da 1ª Etapa do 1º Ciclo da rede municipal e estadual de Aripuanã. Escolhemos as entrevistas por ser um método prático, pois a partir da conversa informal poderíamos adquirir mais informações.

Entrevistamos 07(sete) professores que trabalham com alfabetização diariamente. Inicialmente buscamos saber como os professores entendiam os conceitos de alfabetização e letramento, vejamos os dados exposto no quadro abaixo:

 

CONCEPÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO

 

Entrevistados

Concepções

A

Interpretar, compreender a mensagem;

B

É ler e escrever corretamente;

C

É o início do mundo de conhecimento da criança;

D

É um processo continuo que exige uma atuação especial;

E

Não é só ler e escrever é socializar-se, comunicar-se e um processo de desinibição;

F

Integrar a criança no mundo da leitura e no gostar de ler;

G

É dar oportunidade para o aluno buscar seu próprio conhecimento;

 

Anterior as leituras realizadas na área de Linguagem, também tínhamos a concepção de alfabetização como a relatada pelo entrevistado B: “É ler e escrever corretamente”.

Para nós, a alfabetização era entendida como codificar e decodificar as letras, ou seja, bastava que o aluno lesse e escrevesse que ele estaria alfabetizado.

Hoje concebemos a alfabetização, conforme Possari e Neder (2005, p.26):“Alfabetizar significa oportunizar ao aluno mais um código do qual ele se utilizará para interagir”.

Entendemos a alfabetização como um processo mais amplo, contínuo, de interação e de compreensão e utilização do código escrito tanto na leitura como na escrita, no quadro acima lemos também que alfabetizar “é o início do mundo de conhecimento da criança” fala do entrevistado B, neste caso o professor parece não considerar o que o aluno já aprendeu antes de chegar a escola, podemos deduzir também que esse professor acredita que só a escola ensina o aluno a ler, desconsidera a amplitude do termo alfabetização, já explicitado anteriormente, felizmente já temos aqueles, minoria que percebem esse processo como sendo muito mais amplo como é o caso E e G.

Em relação ao termo letramento, dos entrevistados 4(quatro) responderam já ter ouvido falar e 3(três) disseram não conhecer o termo. Para o professor B “letramento é saber o que cada letra significa”, resposta que é reflexo claro do isolamento desse professor das novas discussões e até mesmo do conhecimento de sua ferramenta de trabalho. Felizmente essa realidade tem aos poucos mudado é o que constatamos na respostas das professoras E e G, vamos aos seus depoimentos:

A professora E disse: “Acho que é a base, aproveitar todo o conhecimento que a criança traz para ser alfabetizada, mas é difícil é um problema sério, deveríamos fazer um curso para aprimorar, a gente tenta e vai se aperfeiçoando. O Projeto é um meio de Letramento, coisas que tem haver com a criança e com o que ela goste”.

Já a professora G explica que o letramento é: “Valorizar o conhecimento prévio do aluno e o que ele traz”.

Anterior as leituras dos fascículos da área de Linguagem, compreendíamos Letramento, como sendo sinônimo de pessoa culta, intelectual e com grau de conhecimento elevado, um conceito um tanto que equivocado, assim como o conceito relatado pelo professor B. Após as leituras realizadas, Letramento pode ser definido como uma condição de quem não só sabe ler e escrever, mas exerce a prática social da leitura e da escrita na sociedade em que vive.

Para Possari e Neder (2005, p.25)  e conforme Kleiman (1995:19): “Letramento é o conjunto de práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia em contextos específicos para objetivos específicos”.  

Durante muito tempo a Alfabetização foi entendida como mera sistematização do B+A=BA, isto é, como aquisição de um código fundado na relação entre fonemas e grafemas. 

A concepção que temos hoje de Letramento presta-se para uma reflexão das práticas mecânicas do ensino instrumental como para se repensar a especificidade da alfabetização.                                                         Neste contexto encontra-se o nosso desafio em face do ensino da língua escrita: o de alfabetizar letrando.

Em uma sociedade como a nossa, o mais comum é que a alfabetização seja desencadeada por práticas de Letramento, tais como ouvir histórias, observar cartazes, placas, anúncios e etc. No entanto é possível que indivíduos com baixo nível de Letramento (não raros membros de comunidades analfabetas ou provenientes de meios com reduzidas práticas de leitura e escrita) só tenha a oportunidade de vivenciar tais eventos na ocasião de ingresso na escola, com o início do processo formal da alfabetização.

Pensando o sucesso escolar procuramos verificar junto aos entrevistados aqueles fatores que mais interferem no processo de alfabetização, leiam as respostas no quadro abaixo:

Entrevistados

1º Fator

2º Fator

3º Fator

A

Pouco contato com a leitura

Situação econômica torna a criança reprimida

Falta de apoio dos pais

B

Falta de interesse 

Pouca ajuda dos pais

 

C

Falta de ajuda dos pais

Assimilação das sílabas

Memorização silábica

D

Carência alimentar

Pouca colaboração dos pais

Falta de material didático

E

Falta de ajuda dos pais

Carência

Disponibilidade familiar

F

Família mal estruturada

Pais analfabetos

Carência alimentar

G

As metodologias

A não valorização do conhecimento prévio dos alunos

 

 

Cada um dos professores entrevistados elencou na ordem crescente, dois ou três fatores que acham contribuir para os problemas enfrentados pelos alunos na escola e no processo de alfabetização.

Podemos perceber que todos os professores citaram como problema a falta de apoio da família em participar da vida escolar de seus filhos, e que muitos destes por esse motivo apresentam dificuldades. Percebe-se que a falta de apoio é conseqüência muitas vezes, do analfabetismo, da falta de tempo e também de desinteresse de alguns pais.

Outro fator elencado foi a situação econômica de muitas famílias e que em decorrência disso, possuem pouco acesso a recursos como livros, revistas, jornais, televisão, etc.

Quando alguns professores relataram o pouco acesso pelas crianças à recursos que possibilitem a leitura, perguntamos a estes se os alunos possuem problemas para ler e escrever, sendo que 06(seis) responderam que os alunos possuem dificuldades tanto na leitura como na escrita e apenas 01(um) disse que não, observe a fala da mesma: “o problema é o professor que não distingue a leitura na alfabetização.”  Através dessa fala podemos perceber que este professor se refere ao fato de muitas vezes os professores das séries iniciais não considerarem o fato de que os alunos ao ingressarem na escola já são leitores de uma série de linguagens verbais e não verbais, ou seja, não podemos dizer que as crianças chegam na escola sem saber nada.

O sucesso ocorre nas escolas em que a leitura e escrita são tratadas como conteúdo central e que buscam um meio de inserir o estudante na sociedade. Para isso devemos entender que para alfabetizar o professor deve pensar que o aluno pode aprender independentemente da sua condição social. Esse olhar do professor abre as portas do mundo da escrita para os que vêm de ambientes com pouco material escrito.

Isso contrapõe a concepção do professor A, elencado na Tabela 1, que aponta como a principal dificuldade enfrentada pelos alunos no processo de alfabetização, o pouco acesso a meios que possibilitem o contato com a leitura. Neste meio está o dever da escola. Cabe a escola oferecer diferentes práticas sociais aos estudantes que não tem acesso a elas, se tornando assim um espaço provocador para que a criança encontre no sistema de escrita um desafio e uma diversão.

Não se trata de mudar completamente a concepção tradicional sobre a Alfabetização, mas sim de ampliarmos nossos conceitos quanto a esse processo e aderirmos ao conceito de Letramento, mesmo porque, segundo Soares “a entrada da criança e do adulto analfabeto no mundo da escrita, se dá, simultaneamente por esses dois processos: pela Alfabetização (aquisição do sistema convencional da escrita) e pelo Letramento (desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita”. ( Soares,WWW. TVEBRASIL.COM.BR/ SALTO)

Sabendo dos fatores procuramos saber como os mesmos têm buscado soluciona-los e as respostas ficaram assim elencadas:

Professor A: “através de livros e atividades diversificadas, buscando diferentes metodologias”;

Professor B: “partindo do cotidiano ou algo de que eles gostem”;

Professor C: “ensino um a um individualmente”; e sempre repito: -pulem uma linha, não passem da margem, escrevam como está no quadro“;

Professor D: “ensino individualmente, usando material concreto e que seja do interesse da criança”;

Professor E: “utilizo materiais diferente, jogos, parlendas, músicas, cruzadinhas, etc”;

Professor F: “para mim quanto mais envolver a leitura melhor, tudo o que pode ser lido, métodos que envolvam diferentes textos, para trabalhar o raciocínio da criança”;

Professor G: através de pesquisas, troca de opiniões, buscando compreender o potencial de cada criança e valorizar o conhecimento de cada aluno e as suas particularidades;

Como podemos perceber a maioria dos professores entrevistados responderam que a diversidade de atividades e que partir do conhecimento e interesse dos alunos pode auxiliar na solução dos problemas existentes na sala de aula.

Analisando a fala do professor C, percebemos que este ainda é detentor de uma prática pedagógica tradicionalista em que orienta seus alunos a fazerem tal qual ela faz, e que através da repetição oral tenta fazer com que seus alunos aprendam a reproduzir textos modelares com regras fixas e pré-estabelecidas numa linguagem distante da realidade da criança, o que confirma sua idéia de alfabetização exposto no quadro da página 06.

Já na fala do professor G, percebemos que já é detentora de uma prática pedagógica construtivista, pois considera que o conhecimento não é dado, em nenhum momento como algo terminado. Este conhecimento se constitui pela interação do individuo com o meio físico e social.   

Através das falas dos professores entrevistados, percebemos que nenhum dos professores relataram as histórias como possibilidade de solucionar os problemas na alfabetização, porém quando perguntados se já consideraram o trabalho com as histórias infantis para se alfabetizar, responderam sim. Assim podemos perceber que a utilização dessa metodologia ainda não é seriamente utilizada como possibilidade de se trabalhar em sala de aula, pois se assim fosse, os mesmos, teriam citado o uso das histórias como possibilidade para se solucionar problemas na alfabetização, já na questão anterior. 

Tendo em vista, o fato de que as histórias ao nosso ver é uma proposta interdisciplinar que estabelece uma simbiose entre aluno – texto – professor, indagamos os professores como estes, às utilizam como recurso motivador para leitura em sala de aula.  

Seis dos professores entrevistados responderam que primeiramente contam as histórias e depois deixam que seus alunos a ilustrem e recontem com suas palavras. Apenas o professor G respondeu que ainda não se utilizou dessa ferramenta para alfabetizar pelo fato de no período em que adquiriu o conhecimento sobre a importância do trabalho com as histórias não estava em sala de aula, mas que reconhece a grandiosidade desse trabalho e afirma: “É através das leituras infantis que o aluno aprende a gostar de ler, pois ele pode criar com sua própria imaginação e viajar no mundo mágico da leitura”.

 Observamos que os professores tem tido avanços, mas ainda há muito para se fazer, o que se tem de positivo e claro na proposta de histórias infantis para despertar o prazer para leitura é o envolvimento com o social e do lúdico. Canções, poesias, parlendas também são úteis para se chegar a incrível mágica de fazer a criança ler sem saber ler. Inserir as histórias no processo de alfabetização é mais um dos mecanismos que contribuirá para a qualidade da leitura.

No presente trabalho objetivamos demonstrar que o contar histórias pode ser um instrumento pedagógico extremamente relevante durante o período de alfabetização propriamente dito, aqui concebida como um período em se inicia para a criança um treino mais sistemático das correspondências, som – grafia através de palavras geradoras, para o ato de ler.

Conduzidas nessa perspectiva surge o professor contador de histórias que no processo de Alfabetização é figura extremamente importante para o êxito escolar da criança. Salientando que a leitura, não pode ser vista apenas como uma decifração ou codificação, mas devem provocar emoções e entretenimento.

Na busca de uma metodologia para despertar no aluno o gosto pela leitura é necessário tornar no espaço escolar um encontro da criança e o texto literário, mediado pela figura do educador.

As práticas pedagógicas devem construir bases para uma atividade cognitiva, tomando a leitura como fator preponderante nesse processo. Pois é através da leitura que o aluno vai concentrar seus esforços e entrar em contato com o mundo da escrita, momento em que vai apropriando-se de significados, construindo conhecimento e construindo-se como sujeito. Isso ocorre, porque a leitura permite sonhar, enfrentar medos e o mais importante, ela permite o acesso ao mundo cultural.

Como as histórias infantis surgem no contexto escolar como incentivo à leitura, e o ato de ouvir histórias está quase sempre presente nas nossas vidas, o professor dentre outras habilidades, deve desenvolver a de contador de histórias, ajudando o educando a penetrar no mundo da fantasia.

É essencial que o educador se perceba como elemento mediador no processo de Alfabetização e ao se tornar uma atividade pedagógica, a literatura, passa a ser um instrumento eficaz desde que na escolha do texto seja observados: qualidade de criação, estruturação da narrativa e sua adequação às convenções do português escrito, com isso estamos oportunizando as crianças um contato pleno com o uso real da escrita.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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