A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

DALSICO, Arali Maiza Parma[1]

MONTEIRO, Marília Gabriela Dalsico[2]

 

         Por muito tempo a criança passou desapercebida sendo incorporada à sociedade como um “adulto em miniatura”, enquanto ser frágil era cuidada e alimentada, mas ao adquirir um mínimo de independência era incorporada ao mundo dos adultos (ARIÈS, 1981).

         Ao longo da história a criança foi sendo percebida como um ser diferente com características próprias que exigia um outro olhar. Assim, de “ser inacabado” ou “homem em miniatura”, a partir do século XVIII, no ocidente, Rousseau, reivindica a especificidade infantil, com características e natureza própria que devem ser desenvolvidas (KISHIMOTO, 2005). Mas não há um conceito universal de criança, pois, cada cultura tem sua maneira própria de ver e cuidar da criança.

          No século XIX, surgem pensadores como Fröebel, que valorizava as histórias, mitos, lendas, contos de fada, percebendo que as crianças usam símbolos em suas brincadeiras, introduziu o brincar para educar, sendo responsável pelo uso do brinquedo e do brincar no Jardim de Infância.

          O presente artigo tem por objetivo discutir a necessidade do educador em conhecer as características próprias da criança na faixa etária de 0 a 6 anos e  as atividades que deve propor ludicamente para desenvolver suas habilidades e capacidades.

          Hoje, o brincar se faz presente no contexto educacional, principalmente na educação infantil, é visto como forma de desenvolver as habilidades motoras, afetivo social e cognitiva, proporcionando à criança oportunidade de vivenciar plenamente sua infância. Assim, a criança é considerara em sua totalidade garantindo-lhe o respeito as suas necessidades, ao dar-lhe oportunidade de aprendizagem em diferentes situações no seu cotidiano escolar.

          O brincar quando introduzido na escola, para a criança não deve perder a ludicidade, mas para o educador não deve ser dado somente com o intuito de diversão, este precisa ter clareza que através da brincadeira a criança cria, constrói e atribui determinados valores conceituais que serão de suma importância para o seu desenvolvimento social e individual.

          Para Santos (2006, p.17-8), o brincar com intencionalidade educativa parte do princípio de que “a liberdade está no ato de brincar organizado pelo educador e não no espontaneísmo da criança. Não significando, portanto, que a criança não brinque livremente”, significa apenas que a criança não precisa “saber” qual é a intencionalidade existente naquela forma do brincar, cabe ao educador ter a sensibilidade de saber quando e como interferir, incentivar e desafiá-la.

          Quando o educador propõe o brincar na educação infantil (0 a 6 anos) deve ter conhecimento sobre as características da criança nesta faixa etária, as quais baseadas em Chizuko (2003), Meur  (1984) e Santos (2004), descrevemos a seguir:

Criança de 0 a 2 anos: No início a inteligência se caracteriza pela ausência de pensamento, representação e linguagem. É a denominada inteligência prática. As atitudes infantis (movimentos/ reflexos) são conseqüentes das percepções imediatas que têm das pessoas, situações e objetos; o corpo é seu brinquedo preferido; adquire domínio do ambiente a sua volta; quando conversamos com ela, balbucia e desenvolve mais rapidamente a linguagem; tem atenção dispersa, mas é atenta ao aqui-e-agora; adquire aos poucos consciência do que pode fazer e aprende a prever a conseqüência de seus atos; o sentido de autonomia se inicia, quer andar, comer e brincar sozinha;

Criança de 3 a 4 anos: Atividades de equilíbrio estão se desenvolvendo; está aprendendo a usar as mãos; constantemente explora o ambiente; demonstra pequena diferença entre fantasia e realidade; usa número sem conhecer o conceito de quantidade; usa as palavras para expressar sentimentos; adora atividades rítmicas; faz uso da imitação; brinca individualmente ou em pequenos grupos; é imaginativa;

Criança de 5 a 6 anos: É sensível e individualista; não aceita bem derrotas; não mantém a atenção por tempo muito longo; interessa-se sobre o que seu corpo pode fazer; é curiosa e altamente criativa; inicia o entendimento de trabalho em grupo; é constantemente ativa, egocêntrica, exibicionista e imitativa;

          Baseando-se nas características próprias das crianças nesta faixa etária, o educador deve estar atento às atividades que propõe aos seus alunos para que estes possam desenvolver suas habilidades e capacidades:

Criança de 0 a 2 anos: Estimular a criança durante as atividades diárias: no banho deve-se conversar com a criança, oferecer objetos e chamar a atenção para as partes do corpo; ao vestir, estimular a criança a encontrar determinadas peças do vestuário; na hora de comer, observar se a criança é capaz de alcançar, pegar, soltar e fazer movimento de pinça; é importante dar-lhe alimentos que ela possa comer com as mãos e oferecer colher e copo de plástico para se alimentar sozinha; no uso da fala, é fundamental fornecer indicação simples usando apenas um verbo, por exemplo: “Pega a boneca”;

Criança de 3 a 4 anos: Promover ampla variedade de desafios motores, saltos, saltitamentos, galopes, etc.; permitir experiências com coordenação: atividades que envolvam equilíbrio simples; oferecer experiências de manipular objetos e guiá-los (patinetes, pequenos carros, construir blocos); permitir esforços criativos e oportunidades exploratórias; oferecer atividades que incluam elementos de realidade e fantasia; praticar atividades que requeiram contagem simples; proporcionar atividades motoras grossas com ritmo simples, marchinhas e ações cantadas; oferecer oportunidades de imitar animais, máquinas, profissões e figuras de parentes; promover situações onde a criança seja valorizada, criando novas maneiras de jogar; permitir tempo para brincadeiras individuais e ajudar as crianças a aprender a brincar com os outros;

Criança de 5 a 6 anos: Oferecer atividades que incentive a revesar, dividir, vencer e perder; encorajá-la e elogiá-la; realizar atividades que dêem a todas a oportunidade de serem o centro das atenções; dar explicações breves ao iniciar uma atividade; permitir oportunidades que requeiram cooperação, demonstrando a importância disso; incentivá-la a desenvolver diferentes maneiras de realizar uma mesma atividade; oferecer jogos vigorosos e acrobáticos, jogos com regras individuais, caçadas, atividades dramáticas, brincadeiras com narrativas, jogos em pequenos grupos; oportunizar jogos com poucas regras e atividades que envolvam todas as crianças; desenvolver habilidades rítmicas e com música (ritmos criativos, danças folclóricas e jogos cantados); usar atividades com duração breve; promover curtos períodos de descanso e incluir atividades moderadas.

          Trabalhar ludicamente na educação infantil não significa promover apenas atividades com jogos, mas sim, oportunizar atividades em que a ludicidade influencie no modo de ser do educando e do educador, na forma de preparar o ambiente para receber a criança e na maneira de perceber e promover o desenvolvimento infantil.

           Santos (2004, p 114) afirma, “a criança que é estimulada a brincar com liberdade terá grandes possibilidades de se tornar um adulto criativo”. O brincar influencia na vida da criança porque cria situações em que ela pode desenvolver a criatividade, dando-lhe melhores possibilidades de resolver criativamente problemas futuros.

 

Referências Bibliográficas

 

ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2ª ed., Rio de Janeiro: LTC, 1981.

 

CHIZUKO, Yogi. Aprendendo e brincando com jogos. Vol. 2.Belo Horizonte: Ed. Fapi, 2003.

 

KISHIMOTO, Tizuko M. Brinquedos e brincadeiras: usos e significações dentro de contextos culturais. In: SANTOS, Santa Marli Pires (org). Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. 10ª ed., Rio de Janeiro: Vozes, 2005, p.23-40.

 

MARTINEZ, Claudia M. Simões, et all. Desenvolvimento de Bebês: atividades cotidianas e a interação com o educador. São Carlos: EdufSCcar, 2005.

 

MEUR, A, de; STAES, L. Psicomotricidade: Educação e Reeducação. São Paulo: Manole, 1989

 

SANTOS, Santa Marli P.; CRUZ, Dulce R. Mesquita da. Brinquedo e Infância: um guia para pais e educadores em creche. 6ª ed., Rio de Janeiro: Vozes, 2004.

 

SANTOS, Santa Marli Pires (org). Textos básicos para o curso de preparação para brinquedista. Santa Maria: Associação Gaúcha de Brinquedoteca/ Texto elaborado para fins didáticos/ 2006.

 



[1] Mestre em Educação, Coordenadora do Pólo de Terra Nova do Norte - Curso de Pedagogia para Educação Infantil - Modalidade a Distância / NEAD/ UFMT.

[2] Estagiária do Museu Rondon, Graduanda em Educação Física - FEF/ UFMT.